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Por onde uma empresa deve começar a sua transformação digital ?



Nos EUA a prática já demonstrou que projetos caseiros de IoT e IA não deram certo e no Brasil as empresas precisam entender primeiro quais são as suas “dores” para então iniciar a jornada rumo à Indústria 4.0.


Nos últimos 10 anos participei de alguns projetos de IoT que não deram certo. Então posso dizer, antes de tudo, o que não se deve fazer na implementação desta plataforma que é a base da Indústria 4.0. Não faça nenhum projeto caseiro, com tecnologias não comprovadas, com componentes sem qualidade industrial (industrial grade). Cito, como exemplo, uma empresa localizada em Minnesota (EUA), que investiu US$ 1 milhão durante um ano para que seus produtos – equipamentos de filtragem industrial - fossem smart & connected. E ela foi por esse caminho de fazer um projeto caseiro, de contratar pessoas sem experiência para elaborarem o projeto e escolherem componentes e tecnologias adequadas. Após um ano a empresa construiu um protótipo que validava a ideia, porém não conseguiu viabilizar o projeto e escalar para os mais de 30 mil produtos que possui no mundo.

As diversas tecnologias que se deve avaliar e escolher num projeto de IoT são desafiadoras, o que chamamos de “technology stack”; são os vários níveis de tecnologia que são necessários para se pensar numa solução de Internet das Coisas (IoT) e de Inteligência Artificial (IA). A maioria delas já está disponível e é comercializada a um custo acessível. Mas vale reiterar que se a empresa resolver fazer um projeto de transformação digital sozinha, terá inúmeros desafios e talvez não dará certo. Se a especialidade dela é fazer televisão, é isso que ela deve fazer e não IoT e/ou IA. Nos EUA, as empresas já passaram dessa fase porque o número de projetos amadores que foram mal sucedidos foi bastante grande. No Brasil, talvez haja muita gente querendo fazer projetos caseiros de IoT, o que, inicialmente pode não ser ruim para a aprendizagem, apesar do potencial fracasso do projeto; e conhecimento é sempre muito importante. Porém, vai um conselho: as soluções caseiras não escalam, precisam de atualização constante, de investimentos crescentes. Deve-se pensar nisso antes de entrar numa jornada arriscada como essa.


Então, como começar? Entenda primeiro qual é o seu problema. Quer aumentar faturamento de serviço, ou aumentar a fidelização do cliente, ou quer renovar um produto que é campeão de venda, mas está antigo? Lembre-se que o principal concorrente da sua empresa é desconhecido. Quem iria imaginar que o principal competidor dos hotéis seria a Airbnb? É uma empresa que não tem sequer um quarto de hotel e nunca construiu um apartamento. Quem iria imaginar que o principal concorrente do sistema de transporte seria o Uber; que a Tesla iria se tornar a maior fabricante de carros elétricos e que o Uber e o Google fariam carros autônomos? A disrupção hoje está vindo de fora das empresas.

Hoje o principal concorrente é desconhecido pois a disrupção está vindo de fora das empresas.

Digital transformation não significa colocar um IP address no seu produto e aí ele virou digital. É um processo que requer a transformação do modelo de negócio de sua empresa. Para isso você precisa conhecer o seu cliente para entender o que ele espera de sua empresa e como seus produtos agregam valor a ele.

É preciso ter claro para onde se quer levar a empresa e seus produtos. Há vários executivos que não sabem e pagam fortunas para as consultorias lhes dizerem o que fazer. Se você está com um projeto de transformação digital, tem que pensar que a empresa que hoje vende produtos, mais para frente será a que venderá serviços porque é isso que agrega valor e fideliza o cliente. Poucas empresas com mais de 50 anos estão vivas até hoje. E as que sobreviveram fizeram a transformação para passar a prestar serviços. No momento em que você puder chamar um carro autônomo por aplicativo, a marca do carro tanto faz, porque você só quer ir de A para B. Se o carro chega na hora pedida, em condições limpas e para te levar onde você quer, será o suficiente. É uma transformação que a indústria automobilística tem que se preparar: vender menos carros, porém carros autônomos.

Transformação digital não é dar um computador, e-mail, celular, etc. para todos na empresa.

Mas muita gente começa pela escolha da plataforma e isso está errado. Tem que ter claro qual é o objetivo, o que deseja alcançar, para depois buscar ajuda profissional e não fazer projetos caseiros. Não adianta automatizar uma tarefa para fazer mais rápido o mesmo erro. Tem que identificar de onde vem o erro para evitar que ele ocorra novamente. É aí que entram a coleta de informações dos sensores, a IoT e a IA para ajudar. Tem um monte de buzzwords por aí que o pessoal de informática e tecnologia adora criar; só que a realidade é: qual é o problema? Como vou fazer a transformação digital da empresa e dos produtos? Você está perdendo negócios e mercado para quem? Quem vai entrar no seu mercado e causar uma disruptura? Às vezes os executivos não sabem. Transformação digital não é dar um computador, e-mail, celular, etc. para todos na empresa. Isso tudo são ferramentas.


A realidade é que os sistemas automatizados cada vez mais irão tomar decisões. Em algumas áreas, a tecnologia já está pronta para isso; em outras, ainda serão necessários investimentos e, em algumas, ainda vai demorar muitos anos para se sentirem confortáveis para que o algoritmo e o computador tomem as decisões sozinhos. São níveis de maturidade distintos. Será necessário qualificar a mão de obra e com isso os algoritmos irão aprender de forma mais fácil porque eles estão sempre olhando o passado e a gente quer que eles vejam o que vem pela frente.

Evidente que os dados históricos são importantes, assim como os dados online trazidos pelos sensores de IoT que também consideram os inputs do operador. É o operador bem treinado que dará dados inteligentes para o sistema ser mais inteligente. Um operador não qualificado pode dar informação ruim para o sistema e este aprende de forma mais lenta. O desafio do Brasil é que temos ilhas de excelência e empresas que ainda estão presas ao passado. Temos que expandir essas ilhas de excelência para que mais empresas se tornem de classe mundial operando no país. Os empregos não vão acabar, mas haverá uma transformação da mão de obra e uma melhor qualificação.

Os sistemas automatizados cada vez mais irão tomar decisões. Em algumas áreas, a tecnologia já está pronta para isso; em outras, ainda serão necessários investimentos e, em algumas, ainda vai demorar muitos anos.

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*Hélio Samora é fundador e CEO da Industrial-IoT Solutions, distribuidora de soluções de IoT e de tecnologias inovadoras para o segmento industrial, com sede em Tucson, Arizona (EUA) e escritórios no Brasil e México. hsamora@i-iotsolutions.com

Fonte: Assessoria de Imprensa

Imagem: Divulgação


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